HCzinho
O que é o HCzinho, o novo Instituto de Pediatria do HC-UFPR
O HCzinho é o novo Instituto de Pediatria do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR), em Curitiba: um hospital pediátrico de alta complexidade, 100% público e gratuito, integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS). O prédio de 10 andares e mais de 15 mil m² será erguido ao lado da Maternidade do HC e vai ampliar a pediatria de 30 para 120 leitos de internação e de 8 para 35 leitos de UTI, com 6 salas cirúrgicas exclusivas para crianças.
Em resumo
- O que é: o hospital pediátrico do Complexo Hospital de Clínicas da UFPR, o maior hospital público do Paraná.
- Atendimento: 100% SUS, sem convênio nem atendimento particular.
- Estrutura: 10 andares, mais de 15 mil m², 120 leitos de internação, 35 leitos de UTI pediátrica e neonatal e 6 salas cirúrgicas.
- Capacidade: cerca de 4 vezes os atuais 3.000 atendimentos pediátricos por mês, em 26 especialidades.
- Onde: ao lado da Maternidade do HC, na Rua General Carneiro, centro de Curitiba.
- Custo: R$ 250 milhões, sendo R$ 125 milhões para a obra e R$ 125 milhões para equipamentos.
- Prazo: início das obras previsto para 2027 e inauguração para 2029.
- Gestão dos recursos: FUNPAR, a Fundação da UFPR.
- Como apoiar: PIX hczinho@funpar.ufpr.br, destinação do Imposto de Renda ou parceria empresarial.
Neste artigo
- O que é o HCzinho
- Por que o Paraná precisa de um hospital pediátrico
- Estrutura e capacidade do novo hospital
- Especialidades e alta complexidade
- O pioneirismo do Hospital de Clínicas da UFPR
- Quem administra o dinheiro: a FUNPAR
- Quanto custa e quem já investiu
- Cronograma da obra
- Como pessoas e empresas podem apoiar
- Perguntas frequentes
O que é o HCzinho
O HCzinho é o Instituto de Pediatria do Complexo Hospital de Clínicas da UFPR. É um hospital de alta complexidade dedicado a crianças e adolescentes, com atendimento integral pelo SUS. Ele reúne assistência, ensino e pesquisa, como o próprio Hospital de Clínicas faz há mais de seis décadas.
A obra vai ocupar um terreno ao lado da atual Maternidade do HC, no centro de Curitiba. O objetivo é atender a demanda pediátrica que hoje não cabe no espaço do hospital e oferecer, no SUS, tratamentos que no Sul do Brasil ainda são raros ou inexistentes na rede pública.
A campanha de arrecadação é conduzida pela FUNPAR, a fundação de apoio da UFPR. As crianças que aparecem na campanha, como Bela, Benício e Júlia, são pacientes reais do HC. A ideia que elas representam é simples: toda criança tem direito ao melhor tratamento disponível, e o HCzinho existe para que esse tratamento caiba no SUS.
Por que o Paraná precisa de um hospital pediátrico
O Brasil fechou 15,9 mil leitos de internação pediátrica entre 2010 e 2019, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) com dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Só no SUS, o país passou de 48,8 mil para cerca de 35 mil leitos pediátricos, uma perda de aproximadamente 13,8 mil.
O Paraná está entre os estados mais afetados. No mesmo período, o estado perdeu 1.039 leitos pediátricos do SUS, passando de 3.214 para 2.175, uma redução de 32,3%.
A falta de leitos pesa mais no outono e no inverno, quando aumentam as doenças respiratórias. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), o estado registrou mais de 10 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 469 óbitos no primeiro semestre de 2025. Nas análises do Laboratório Central do Estado (Lacen/PR), os vírus mais encontrados foram o Vírus Sincicial Respiratório (28,13% das amostras positivas), o Rinovírus (20,03%) e a Influenza A (18,38%). Esses vírus atingem principalmente crianças menores de seis anos e muitas vezes exigem internação e suporte ventilatório em UTI.
Hoje o HC-UFPR, maior hospital público do Paraná, tem 30 leitos de internação pediátrica e 8 leitos de UTI infantil para atender casos graves encaminhados por todo o estado pela Central de Regulação. O HCzinho multiplica essa capacidade.
Estrutura e capacidade do novo hospital
O HCzinho terá 10 andares e mais de 15 mil m² dedicados às crianças. O projeto segue o conceito de healing environments (ambientes que ajudam a curar): luz natural, espaços lúdicos, acessibilidade e lugar para a família ficar perto da criança. A presença dos pais e o conforto da família ajudam na recuperação e podem reduzir o tempo de internação.
| Indicador | Hoje (HC-UFPR) | HCzinho (previsão) | Variação |
|---|---|---|---|
| Leitos de internação | 30 | 120 | 4 vezes |
| Leitos de UTI pediátrica e neonatal | 8 | 35 | 4,4 vezes |
| Salas cirúrgicas | Compartilhadas com adultos | 6 exclusivas | Centro cirúrgico próprio |
| Área física | Cerca de 2 mil m² dentro do HC | Mais de 15 mil m² | Prédio próprio |
| Atendimentos por mês | Cerca de 3.000 | Cerca de 12.000 | 4 vezes |
Como é um hospital universitário, o prédio também terá auditórios, laboratórios e espaços para residentes e estudantes. Ensino, pesquisa e atendimento no mesmo lugar formam novos pediatras e aproximam as descobertas do laboratório do cuidado ao paciente.
A mudança também beneficia os adultos. Quando a pediatria sair do prédio principal, cerca de 2 mil m² serão liberados no Hospital de Clínicas e destinados a mais leitos de UTI adulta e a um novo centro cirúrgico.
Especialidades e alta complexidade
O Hospital de Clínicas já atende crianças em 26 especialidades pediátricas. A linha de cuidado vai do acompanhamento do desenvolvimento e da vacinação até cirurgias de alta complexidade com suporte de UTI.
Entre as áreas de destaque estão cirurgia pediátrica, cirurgia plástica reparadora (fundamental no tratamento de fissuras labiopalatinas e outras anomalias congênitas), neuropediatria, cardiologia infantil, oncologia e hematologia pediátrica e infectologia.
O HCzinho vai ampliar serviços que são raros na rede pública do Sul do país, como:
- o Ambulatório de Síndrome de Down, o primeiro da América Latina;
- o transplante de medula óssea, que o HC fez pela primeira vez na América Latina;
- a cirurgia fetal pelo SUS, que na região Sul só é feita no HC;
- o Banco de Leite Humano, o primeiro da região Sul.
A tecnologia também avança. Um exemplo recente foi a doação ao hospital de um sistema de neuronavegação StealthStation S8, avaliado em R$ 1,5 milhão, que permite cirurgias cerebrais em crianças com mapeamento tridimensional em tempo real.
O pioneirismo do Hospital de Clínicas da UFPR
O Hospital de Clínicas da UFPR foi inaugurado em 5 de agosto de 1961 como hospital-escola da universidade e se tornou o maior hospital público 100% SUS do Paraná. Parte do que a medicina brasileira faz hoje em transplante, genética e medicina fetal começou ali.
O primeiro transplante de medula óssea da América Latina (1979)
Em outubro de 1979, uma equipe do HC-UFPR coordenada pelo hematologista Ricardo Pasquini, com o médico Eurípides Ferreira, realizou o primeiro transplante de medula óssea bem-sucedido da América Latina. O paciente recebeu a medula de um irmão compatível.
O serviço ajudou a estabelecer no Brasil as bases do transplante: o preparo do paciente com quimioterapia e radioterapia, o estudo de compatibilidade pelo sistema HLA e o tratamento da doença do enxerto contra o hospedeiro. Depois vieram outros marcos, como o primeiro transplante de sangue de cordão umbilical da América Latina, em 1993.
Hoje o centro soma mais de quatro décadas de atividade e quase 3.000 transplantes. É referência internacional no tratamento da anemia de Fanconi, da anemia aplástica grave e da leucemia mieloide crônica.
O primeiro ambulatório de Síndrome de Down da América Latina (1997)
Em maio de 1997, o HC-UFPR abriu, em parceria com a associação Reviver Down, o primeiro ambulatório clínico dedicado a pessoas com Síndrome de Down no Brasil e na América Latina.
O modelo mudou a forma de atender. Em vez de a família percorrer vários consultórios, a criança é avaliada no mesmo lugar por pediatras, cardiologistas, geneticistas, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e assistentes sociais. O foco é dar o diagnóstico com acolhimento, apoiar a família e estimular o desenvolvimento desde cedo. O ambulatório tem mais de 4 mil pacientes cadastrados.
Cirurgia fetal pelo SUS
O Complexo HC-UFPR é o único centro público da região Sul que faz cirurgia fetal pelo SUS. A medicina fetal trata o bebê ainda no útero, quando algumas malformações, se não tratadas antes do nascimento, levariam à morte ou a sequelas permanentes. No Brasil, esse tipo de procedimento está concentrado em poucos centros, quase todos privados ou no eixo Rio–São Paulo.
Quem administra o dinheiro: a FUNPAR
A arrecadação e a execução financeira do HCzinho são feitas pela FUNPAR (Fundação da Universidade Federal do Paraná para o Desenvolvimento da Ciência, da Tecnologia e da Cultura), fundação de apoio da UFPR nos termos da Lei nº 8.958/1994. É a FUNPAR que recebe as doações, conduz as licitações e paga obra e equipamentos.
As doações por PIX vão direto para a conta da fundação, pela chave oficial hczinho@funpar.ufpr.br, e ficam vinculadas ao projeto. Os recebimentos podem ser consultados no Portal da Transparência da FUNPAR.
Para entender em detalhe quem gerencia e quem fiscaliza cada etapa, leia Doações para o HCzinho: quem gerencia e quem fiscaliza.
Quanto custa e quem já investiu
O HCzinho custa R$ 250 milhões, divididos em duas fases:
- Fase 1, obra (R$ 125 milhões): fundação, estrutura do prédio de 10 andares, instalações elétricas e hidráulicas, climatização, gases medicinais para as UTIs e acabamento hospitalar.
- Fase 2, equipamentos (R$ 125 milhões): camas hospitalares, incubadoras neonatais, ressonância magnética, tomografia, central de esterilização e equipamentos cirúrgicos.
Mais de R$ 80 milhões da primeira fase já estão garantidos, com aportes de:
- Governo do Estado do Paraná: R$ 20 milhões, entregues pela Secretaria de Estado da Saúde em setembro de 2025;
- Assembleia Legislativa do Paraná (Alep): R$ 20 milhões, vindos de economia no orçamento do próprio Legislativo;
- Itaipu Binacional: R$ 3,5 milhões para os projetos de arquitetura e engenharia e mais R$ 15 milhões para a obra;
- Governo Federal, pelo Ministério da Saúde: mais de R$ 30 milhões na primeira etapa.
Empresas e instituições também apoiam o projeto, entre elas Grupo Boticário, Grupo Paranaense de Comunicação, Grupo Positivo, Grupo Bom Jesus, Grupo J. Malucelli, TIF Comunicação, Favretto Mídia Exterior, PAZ New Mídia, Fecomércio, Associação dos Amigos do HC, Club Athletico Paranaense e Coritiba Foot Ball Club. Veja exemplos em Athletico e Coritiba anunciam parceria inédita e a parceria com a Favretto.
Cronograma da obra
- Projeto arquitetônico e executivo: em andamento.
- Arrecadação para a obra: em andamento.
- Projetos complementares (elétrico, hidráulico, tecnologia) aprovados pela vigilância sanitária.
- Licitação pública da obra.
- Início das obras: previsto para 2027.
- Compra de equipamentos e inauguração: previstas para 2029.
O ritmo depende da arrecadação: quanto antes a primeira fase estiver completa, antes a obra começa.
Como pessoas e empresas podem apoiar
O andamento da arrecadação aparece no Amorômetro, na página de doação do site.
Doação por PIX
É o caminho mais rápido e não tem taxa de intermediação. Use a chave oficial hczinho@funpar.ufpr.br, no valor que quiser. O dinheiro vai direto para a conta da FUNPAR vinculada ao projeto. A chave e o QR Code também estão na página de doação.
Destinação do Imposto de Renda
Pessoas físicas e empresas tributadas pelo lucro real podem direcionar parte do Imposto de Renda devido ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FMDCA) de Curitiba, sob deliberação do COMTIBA, para o projeto do HCzinho. O valor é abatido do imposto: não é um gasto a mais. Pessoas físicas podem destinar até 3% do imposto devido na declaração; empresas no lucro real, até 1% do IRPJ.
Para doar durante o ano, pelo boleto da Fundação de Ação Social (FAS) de Curitiba:
- Acesse o formulário de doação da FAS.
- Em "Dados da Doação", informe CPF ou CNPJ, o valor e a data de vencimento do boleto.
- Em "Receptor", escolha "OSC / Relação dos Projetos aprovados", depois FUNPAR e o projeto "HCZINHO 100% SUS".
- Marque "Permitir o compartilhamento do meu nome e CPF com a OSC", para a FUNPAR identificar sua doação.
- Preencha nome, e-mail, telefone e endereço, emita o boleto e pague até o vencimento.
- Passo obrigatório: envie o comprovante para hczinho@funpar.ufpr.br com o assunto "Destinação IR: HCzinho", com nome completo, CPF ou CNPJ e telefone. Guarde o recibo para a declaração do ano seguinte.
O passo a passo completo, inclusive pela declaração, está em Destine seu Imposto de Renda.
Parcerias com empresas
Empresas podem apoiar o HCzinho com recursos de responsabilidade social (ESG) de várias formas:
- Apadrinhamento de espaços: financiar leitos de UTI, salas cirúrgicas ou ambulatórios, com reconhecimento no prédio.
- Campanhas com colaboradores: arrecadação interna, com a empresa dobrando o valor doado pelos funcionários.
- Marketing de causa: destinar parte das vendas de um produto ou serviço ao HCzinho.
- Eventos e ações culturais: leilões, festas e eventos divulgados nos canais oficiais do HCzinho no YouTube, Facebook e Instagram (@hczinhoufpr).
Para conversar sobre uma parceria, acesse HCzinho para empresas.
Perguntas frequentes
O que é o HCzinho?
É o novo Instituto de Pediatria do Complexo Hospital de Clínicas da UFPR, em Curitiba: um hospital pediátrico de alta complexidade, 100% SUS, com 10 andares, mais de 15 mil m², 120 leitos de internação, 35 de UTI e 6 salas cirúrgicas. Ele reúne atendimento, ensino e pesquisa.
O atendimento no HCzinho será pelo SUS?
Sim. Todo o atendimento será 100% público e gratuito, pelo Sistema Único de Saúde, sem convênio nem atendimento particular. O acesso segue a regulação do SUS, como no Hospital de Clínicas.
Quantos leitos o HCzinho vai ter?
120 leitos de internação e 35 leitos de UTI pediátrica e neonatal, além de 6 salas cirúrgicas exclusivas. Hoje a pediatria do HC tem 30 leitos de internação e 8 de UTI.
Quais especialidades o HCzinho vai atender?
O HC já atende crianças em 26 especialidades pediátricas, entre elas cirurgia pediátrica, neuropediatria, cardiologia, oncologia e hematologia, infectologia e cirurgia plástica reparadora. O HCzinho amplia serviços raros no SUS do Sul, como o transplante de medula óssea, o ambulatório de Síndrome de Down, a cirurgia fetal e o banco de leite humano.
Quando o HCzinho fica pronto?
O início das obras está previsto para 2027 e a inauguração para 2029. O prazo depende da arrecadação da primeira fase, de R$ 125 milhões, da qual mais de R$ 80 milhões já estão garantidos.
Como doar para o HCzinho?
Pelo PIX oficial hczinho@funpar.ufpr.br, em qualquer valor, ou destinando parte do Imposto de Renda ao FMDCA de Curitiba, vinculado ao projeto. Empresas também podem fechar parcerias. Os recursos são geridos pela FUNPAR, a fundação de apoio da UFPR.
Quem administra o dinheiro doado?
A FUNPAR, fundação de apoio da UFPR. Ela recebe as doações, faz as licitações e paga a obra e os equipamentos. Os recebimentos podem ser consultados no Portal da Transparência da FUNPAR.
O HCzinho beneficia também os adultos?
Sim. Com a pediatria no prédio novo, cerca de 2 mil m² serão liberados no Hospital de Clínicas e usados para mais leitos de UTI adulta e um novo centro cirúrgico.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria: 15,9 mil leitos de internação pediátrica foram fechados no Brasil nos últimos nove anos
- Secretaria de Estado da Saúde do Paraná: Governo do Paraná investe R$ 20 milhões para auxiliar na construção do HCzinho
- Prefeitura de Curitiba: HCzinho vai ampliar o serviço pediátrico do Complexo HC
- Revista Pesquisa Fapesp: perfil de Ricardo Pasquini e o primeiro transplante de medula da América Latina
- FUNPAR: Portal da Transparência, recebimentos do HCzinho
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